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sexta-feira, 1 de março de 2013

Entenda um pouco o que é LIRAa, e os produtos que trabalhamos no nosso dia a dia de trabalho.


O que é LIRAa?
Larvas do Aedes Aegypti

O LIRAa (Levantamento de Índice Rápido de infestação por Aedes  Aegypti), é o modelo utilizado para verificar o IIP (Índice de Infestação Predial) nos municípios e é uma ferramenta que ajuda a mapear os locais de alto índice de infestação do mosquito e que, consequentemente alerta sobre os possíveis pontos de endemias da doença e é o dado utilizado para classificar o risco de cada município de ter uma possível epidemia de dengue. Essa metodologia foi desenvolvida em 2002 pelo Ministério da Saúde para atender a necessidade dos gestores e dos profissionais da saúde que trabalham com o Programa de Controle da Dengue para dispor das informações entomológicas de maneira mais rápida. Hoje é a metodologia utilizada por todos os municípios do país.


Como funciona o LIRAa?


Agente de Saúde realizando o LIRAa
Como sabemos anteriormente o que é LIRAa (ver acima), metodologicamente, o LIRAa funciona da seguinte forma: o município é dividido em áreas menores, que são em três partes: Distritos Sanitários, Estratos e Quarteirões

Distrito Sanitário é reconhecido como unidade operacional administrativa e mínima do sistema de saúde, definida com critérios geográficos, populacionais, epidemiológicos, administrativos e políticos, onde se localizam os recursos de saúde, públicos e privados, organizados através de mecanismos políticos institucionais com a participação da sociedade organizada para desenvolver ações integrais de saúde capazes de resolver a maior quantidade possível de problemas da saúde.

Estrato são áreas menores que os Distritos Sanitários, e agrupam mais de um Quarteirão.

Quarteirão são divisões menores ainda do que os estratos e são divididos em média de 9.000 imóveis  e o LIRAa são realizados nesses locias e são sorteados aleatóriamente os que serão pesquisados. Identificando então a infestação da área chamada de estrato, e também os principais criadouros do mosquito.


Para o combate a Dengue são utilizados dois tipos de pesticidas.

Pesticida Diflubenzuron, é o mais novo pesticida recomendado pelo Ministério da Saúde e o substituto do Pesticida Temefós na maioria dos municípios do país. A forma como é utilizado cada veneno e o método de ação do combate as larvas do mosquito da dengue são bem distintas. Vamos a elas.

Embalagem do Pesticida Temefós
Temefós: Também conhecido como Abate, foi utilizado por mais de duas décadas na maioria dos municípios do Brasil. Hoje em dia são pouquíssimos municípios que o utilizam. Foi um dos pesticidas utilizados por mais tempo na campanha de combate a dengue. Sua forma de manuseio era bem simples: o agente andava com uma colher de 5 gramas (colher pequena de chá) para recipientes de 20 litros e a colher de 20 gramas (colher de sopa) para recipientes de 200 litros, a grande vantagem era que a aplicação era independente, do recipiente ser com água ou seco. Mas os pacotes eram de 500g que geravam um desconforto entre os agentes por causa do peso principalmente quando era quando o P.A (ponto de Apoio) dos agentes ficavam muito longe do quarteirão então os agentes tinham que levar muitos pacotes de abate em sua mochila no qual pesava bastante e consequentemente o trabalhador tinha muitos problemas de coluna.
O efeito do Temefós era muito eficiente. Ele combatia a larva adulta e em muitos casos a Pupa, e tinha um efeito relativamente rápido.
Ele age por contato e ingestão. Como todo inseticida do grupo organofosforado, o temefós liga-se ao centro esterásico da acetilcolinesterase (AChE), impossibilitando-a de exercer sua função, ou seja, hidrólise do neurotransmissor acetilcolina (ACh), em colina e ácido acético.
Mas ao longo de grandes períodos de contato com o produto, causam danos à saúde humana. Ele pode ser detectado através do exame de Colinesterase Sérica, pois a inibição dessa enzima indica o nível de intoxicação e causam sérios problemas de saúde.
Foi substituído por uma medida preventiva do MS, que detectou, após a realização de pesquisa por amostragem, a resistência das larvas a esse produto, em algumas cidades brasileiras.



Pesticida Diflubenzuron
Diflubenzuron: É o substituto do Temefós na grande maioria dos municípios brasileiros. Foi introduzido de forma gradual na maioria das cidades brasileiras. Ele age como reguladores de crescimento (ou IGR, sigla derivada de “Insect Growth Regulator”) são considerados inseticidas alternativos, agem diretamente como inibidores de síntese de quitina (parte integrante do exoesqueleto do artrópode). No caso do mosquito da dengue ele age somente na pupa, isso é, quando o mosquito adulto vira pupa os níveis de quitina caem bruscamente e a pupa"rompe-se" impedindo o nascimento do mosquito e sua eventual morte.

É ineficiente contra as PUPAS já formadas, porque a quitina já está completa, e o produto só é eficiente quando o mosquito está em estágio larval, mas não mata as larvas. O Diflubenzuron apenas inibe a formação de quitina e o produto só tem efeito quando a PUPA está perto de eclodir para se transformar em mosquito.

O Diflubenzuron tem outros "contras" porque sua forma de manuseio é bem mais complexa do que o Temefós, exigindo uma conhecimento extra do agente, pois este tem que ter noção de geometria espacial. Temos que fazer cálculos exatos para o uso do produto, no que em muitos casos por falta de treinamento necessário para aplicação do produto e a falta de conhecimento teórico dessa matéria específica e por muitos os concursos no Brasil nessa área ainda serem de nível fundamental, a aplicação do produto é fatídica ao erro ajudando no insucesso da aplicação do produto.
Apesar do Ministério da Saúde afirmar que o pesticida não é nocivo à saúde humana, há vários relatos de agentes após o uso contínuo do produto sentir problemas de saúde como irritabilidade nas mucosas, taquicardia, cansaço e falta ânimo para exercer atividades diárias. Mas infelizmente na falta de um diagnóstico laboratorial preciso, muitos desses servidores não são ouvidos e não são lhe dado a devida atenção. Muitos médicos já estão ignorando os resultados laboratoriais e estão dando diagnósticos contrários ao do Ministério da Saúde. No Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, o uso desse produto químico pelos agentes foi proibido através de laudos expedidos pelos médicos independente do resultado dos exames.

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