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Agente de Saúde morre de sarampo após contrair trabalhando sem estar vacinada em AM!

Alcimarina Jakiminutt era agente de saúde e estava no estágio do curso de técnica de enfermagem (Foto: Arquivo Pessoal)
A agente de saúde Alcimarina Jakiminutt, de 44 anos, estava trabalhando sem ter sido vacinada contra sarampo, segundo familiares. Ela é a quarta pessoa que morreu por causa da doença no Amazonas neste ano após o estado registrar surto. As sobrinhas de Alcimarina afirmam que a funcionária pública já tinha contraído sarampo na infância, e que não tinha sido vacinada agora por falta de doses para adultos. A Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) confirma que a agente não tomou a vacina, mas afirma que os adultos estão sendo vacinados em todo o Estado.

Moradora da comunidade Monte Sinai, na Zona Rural de Autazes, a agente, que há 22 anos atuava na saúde, viu o sonho de se tornar técnica de enfermagem ser interrompido pelo sarampo. Alcimarina Jakiminutt foi infectada durante o período que cuidava de um irmão com sarampo.

"Em Autazes, a vacina só está sendo liberada para bebês de seis meses e crianças de até quatro anos. Até agora está nessa situação, e os adultos de lá [só] conseguem se vacinar é em Manaus. Inclusive, toda nossa família veio se vacinar na capital. Em Autazes, não está tendo vacina para adultos e por isso minha tia não se vacinou", contou a sobrinha de Alcimarina, a assistente contábil Jucileia Jakiminutt, de 30 anos.

No dia 10 de julho, a agente de saúde começou a travar uma batalha pela vida. Ela enfrentou uma série de dificuldades para tentar tratar a doença, desde a primeira busca por atendimento médico no hospital público de Autazes.

"Quando minha família suspeitou que ela estava com sarampo, levaram ela da comunidade para Autazes. Lá, fizeram um exame para ver se ela tinha sarampo, mas a médica de plantão mandou ela ir para casa, pois não havia ala com leito para isolá-la e tinha nascido muitos bebês no hospital. Disseram que, por isso, ela não poderia ficar internada lá e que iriam enviar alguém do hospital para acompanhá-la, mas ninguém foi lá durante quatro dias e ela voltou para a comunidade", contou a sobrinha.

O resultado do exame laboratorial que comprovou o sarampo só saiu últimos dias de vida de Alcimarina Jakiminutt, quando a funcionária pública estava com quadro grave de saúde e internada em Manaus.

Família diz que sarampo "chegou a ser descartado"

Segundo a família, uma médica do Hospital Delphina Aziz descartou a possibilidade de a paciente estar com sarampo. Os familiares pediram para transferir a agente de saúde para o hospital de referência no atendimento de doenças infectocontagiosas, o Hospital Tropical. Porém, a transferência não foi autorizada pela equipe do Delphina Aziz, de acordo com Jucileia.

"Fomos atrás do infectologista no Delphina Aziz e assistente social disse que não tinha e que só chamava o especialista em caso de urgência. Desde o início, pedimos que ela fosse avaliada por um infectologista porque sarampo é caso de infectologista e, principalmente, porque as plaquetas dela estavam baixando. Diagnosticaram o sarampo quando o quadro já era irreversível e já era tarde", afirmou a sobrinha.

Para a família da agente de saúde, as falhas na prevenção do sarampo e as negligências no atendimento hospitalar foram decisivas para o óbito no dia 4 de agosto.

"A gente não quer arranjar culpados, mas, assim como aconteceu com a nossa família, podemos evitar com outras", desabafou Jucileia.
Os familiares da funcionária pública pedem que as equipes médicas tenham mais atenção com as pessoas com suspeita de sarampo que procuram atendimento médico.

O que diz a FVS

Em entrevista à Rede Amazônica nesta quarta-feira (29), a coordenadora estadual de imunização da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), Izabel Nascimento, disse que os profissionais de saúde devem tomar a vacina, em duas doses, mas confirmou que Alcimarina não se imunizou.

"Isto aí é exatamente a própria pessoa que se recusa [a] tomar a vacina. [Pensa] 'Eu já estou com 44 anos, eu não vou mais precisar'. A vacina existe em todos os nossos municípios. O profissional de saúde tem que tomar duas doses: a primeira, e 30 dias depois, toma a segunda dose. A vacina não faltou. Agora, o indivíduo não se vacinou", afirma.

Ainda segundo Izabel, a recomendação é que se tome a vacina, mesmo em casos de pessoas que já tiveram a doença anteriormente.

"Na dúvida, você vai tomar a vacina, porque muitas vezes você não teve o sarampo. Você pode ter tido algum exantema [erupção na pele] por uma outra doença ou uma outra alergia. É claro que, se eu tive sarampo, eu tenho já imunidade adquirida", ponderou.

O diagnóstico tardio da doença, relatado pelos familiares da agente de saúde, foi rebatido em nota da FVS. Segundo o órgão, a vítima foi diagnosticada com a doença no dia 17 de julho, na Unidade Mista de Autazes.

"Na ocasião, foi feito diagnóstico clínico, seguindo o protocolo definido para atendimentos de casos suspeitos de sarampo em todas as unidades da rede pública e particular. Foi medicada e feita a coleta de material para sorologia para que o sarampo pudesse ser confirmado laboratorialmente. Como no momento não apresentava quadro de complicação, foi orientada ao isolamento social e, caso houvesse alteração de quadro clínico, que retornasse à unidade", diz comunicado enviado pela FVS.

Ainda segundo a Fundação, não consta no prontuário da agente de saúde qualquer referência a Acidente Vascular Cerebral (AVC). As causas da morte definidas em atestado de óbito são sarampo e encefalite, tendo como complicador có-morbidade para hipertensão e diabetes. "A direção do HPS [Delphina Aziz] informa que tem em seu quadro infectologista e que a paciente foi avaliada pela profissional", acrescenta o órgão.

Nosso blog se solidariza com a família e nosso pesar. Mas isso mostra o quanto somos vulneráveis e temos que nos cuidar: temos que estar saudáveis para promover saúde!

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