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O índice de recusa em residências é de 0,2% em Fortaleza - CE.


Profissionais dedicados à prevenção de doenças em Fortaleza, principalmente as arboviroses - dengue, zika e chikungunya -, os agentes comunitários de saúde (ACS) e agentes comunitários de endemias (ACE) passarão a atuar com um novo fardamento para facilitar sua identificação pela população. Conforme o coordenador de vigilância em Saúde da Prefeitura, Nélio Morais, os profissionais têm boa receptividade, já que a Capital tem taxa de recusa na entrada nas residências de apenas 0,2%.

Com a atualização, os ACS atuarão com blusa branca identificada, colete verde-claro com ombros azuis, calça, bota, boné e mochila azul-escuro. Já os ACE serão identificados por uniforme predominantemente verde, formado por calça, blusa de gola, colete com a inscrição "Vigilância Ambiental", boné e mochila. Os fardamentos seguem protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde e tiveram contribuições de representantes das duas categorias.

Para a titular da Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza (SMS), Joana Maciel, a população pode ficar "tranquila" ao recebê-los nas casas, deixando de lado o receio de possíveis ações de pessoas disfarçadas. "Os agentes encurtam as distâncias entre a Prefeitura e o cidadão. Agora, com a quadra invernosa, há um aumento das arboviroses é muito importante que esse batalhão esteja motivado para orientar adequadamente a população no que tange à prevenção", observa.

Um deles é o agente de endemias Leonardo Marcel, que opera no bairro Centro. Na mochila, ele carrega itens indispensáveis como lanterna, pesca-larvas e larvicidas, utilizados na eliminação mecânica ou química dos focos do mosquito Aedes aegypti. Já na língua, o "soldado" traz uma mensagem de ordem: a conscientização que não se deve acumular água parada. "Com a farda, a recepção vai ficar bem mais fácil", espera.

Conforme Nélio Morais, Fortaleza é 100% coberta pelo trabalho dos agentes, e áreas que demandam maior atenção, as Regionais V e VI, recebem volume superior de visitas do que as preconizadas pelo Ministério da Saúde. Além disso, os agentes recebem orientações quanto à entrada em áreas com conflitos de facções ou grande índice de ações criminosas. "Ele só deve agir com plena segurança de sua integridade física e moral. Se ele não puder entrar, ele faz um relato. Temos áreas específicas onde trabalhamos com mutirões, com um grande número de pessoas, então isso dá uma retaguarda melhor ao profissional", ressalta, afirmando que a SMS nunca foi notificada sobre casos de agressões a profissionais, embora tenha conhecimento de "algumas abordagens" - sem, no entanto, detalhá-las.

Déficit

Ainda de acordo com o coordenador, sempre haverá déficit de agentes por conta do incremento de imóveis da cidade, que ele estima em torno de 30 mil por ano. Segundo a própria SMS, atualmente, há uma carência de cerca de 2,3 mil profissionais na cidade. A secretária Joana Maciel assegura que a Capital está passando por um processo de reterritorialização para localizar que áreas demandam expansão das equipes. Fortaleza hoje conta com 2.200 agentes de saúde e 1.743 agentes de endemias.

Os ACS são divididos de acordo com o tamanho da área, número de habitantes e risco de vulnerabilidades, orientando a população quanto à utilização dos serviços de saúde. Os ACE atuam conforme o número de imóveis localizados em determinada área, combatendo vetores de doenças transmissíveis com base nos programas de arboviroses, doença de chagas, calazar, raiva e leptospirose, dentre outras enfermidades.

Segundo o prefeito Roberto Cláudio, não há previsão de um novo concurso para os agentes comunitários, preferindo apostar na valorização dos profissionais atuais. Por isso, um novo Decreto, assinado ontem, estabeleceu nova gratificação de produtividade de campo das categorias. A medida acrescenta o valor de até 10% do vencimento base nacional da categoria atrelado ao cumprimento de metas.

"A primeira tarefa é estimular e pagar melhor quem já está na rede, fazendo mais e melhor com o que a gente já tem. Só depois podemos pensar em ampliar", afirma o prefeito.

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