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segunda-feira, 11 de abril de 2016

Cerca de 400 agentes de saúde contraíram doenças de pacientes em serviço.

Segundo o Sindicato dos Agentes de Saúde de Teresina, as principais doenças transmitidas entre os agentes comunitários e pacientes são hanseníase e tuberculose
Em contato com pacientes, pelo menos 400 agentes comunitários de Teresina contraíram doenças transmissíveis como hanseníase e tuberculose. A estatística alarmante foi divulgada pelo diretor do Sindicato dos Agentes de Saúde de Teresina (Sindart), Francisco Genaldo de Sousa.

Ele falou também que durante o período de 1994 até agora, morreram agentes de combate à endemias relacionados com o uso de larvicida e inseticida.

Francisco Genaldo de Sousa afirmou que o risco de transmissão de doenças foram a base da reivindicação da categoria e, agora homologado pelo prefeito de Teresina, dentro do Plano de Cargos, Carreira e Salários, que prevê o pagamento de gratificação por insalubridade, no valor de R$ 172,00, equivalentes a 20% do salário mínimo.

Segundo o diretor do Sindart, Teresina possui 2.015 agentes de saúde, sendo 1,4 mil agentes comunitários de saúde e 615 agentes de combate a endemias.

A diretora de Ações Assistenciais de Saúde da Fundação Municipal de Saúde, Smithanny Barros, afirmou que os profissionais das comunidades contraem doenças independente do trabalho que exerçam. Ela disse ainda que eles usam Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e agora estão recebendo adicional ao salário por insalubridade.

“Eles vivem nas comunidades e contraem doenças como os moradores dos bairros onde residem, independente do trabalho”, afirmou Smithanny Barros.

Smithanny Barros acrescentou que os agentes comunitários de saúde são impedidos de atender os pacientes com hanseníase, uma doença multibacilar, que ainda não tomaram medicamentos para o tratamento da doença, mas a doença acomete outros profissionais.

“Temos casos de enfermeiros e outros funcionários que contraíram doenças como tuberculose e hanseníase”, confirmou Smithanny Barros.

Em Timon, profissionais são acometidos pela síndrome de Burnout

O presidente dos Agentes Comunitários de Saúde de Timon (MA), Erivaldo Lima, afirmou que a categoria está reivindicando pagamento de incentivo adicional de R$ 1,014 mil no final do ano, Plano de Cargos, Carreira e Salários e pagamento de insalubridade por causa da possibilidade de transmissão de doenças crônicas durante o contato e tratamento do paciente.

Ele falou que em Timon são 326 agentes comunitários de saúde e as doenças que contraem no campo durante o trabalho também são tuberculose e hanseníase.

“São doenças contraídas no contato direto com os pacientes”, afirmou Erivaldo Lima.

Erivaldo Lima falou que um dos principais problemas enfrentados pelos agentes comunitários de saúde são a síndrome de Burnout, de esgotamento profissional, que desenvolve na pessoa fobia ao seu trabalho, à sua atividade profissional.

“É uma doença em que você tem fobia, atrapalha seu trabalho. Você tem medo de seu trabalho. Por que? Por causa da falta de segurança. Temos muitos amigos que já foram assaltados e temam voltar para as casas dos pacientes que atendem”, afirmou Erivaldo Lima.

Segundo ele, cinco agentes comunitários de saúde têm a síndrome de Burnout, dez agentes com tuberculose e 30 agentes comunitários de saúde contraíram hanseníase.

O agente comunitário de saúde Iglesias Alves declarou que contraiu hanseníase durante o atendimento de um paciente. “Não temos equipamentos de proteção individual”, afirmou Iglesias Alves.

A agente comunitária de saúde Maria José Lima da Silva afirmou que puxa da perna esquerda porque para fugir de um cachorro de uma casa de paciente, no bairro Flores, em Timon, sofreu uma torção que teve repercussão permanente.

Síndrome é consequência do estresse do dia a dia

Em geral, a síndrome de Burnout atinge profissionais que lidam direto e intensamente com pessoas e influenciam suas vidas. É o caso de pessoas das áreas de educação, assistência social, saúde, recursos humanos, bombeiros, policiais, advogados e jornalistas.
É possível que o paciente sofra fisicamente com a doença, com dores de cabeça, enxaqueca, cansaço, sudorese, palpitação, pressão alta, dores musculares, insônia, crises de asma e distúrbios gastrointestinais, respiratórios e cardiovasculares. Em mulheres, é comum alterações no ciclo menstrual.
Além do tratamento, que inclui terapia e medicamentos, como antidepressivos, se faz necessária uma mudança no estilo de vida. A qualidade de vida é uma das armas para prevenir a Síndrome de Burnout. E isso inclui cuidar da saúde, dormir e alimentar-se bem, praticar exercícios e manter uma vida social bem ativa.
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