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sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Colega visita local onde os Agentes de Saúde recebem cerca de R$ 3.500,00 e onde podem chegar a R$ 7.000,00. Saibam onde é:

Olá colegas, recentemente recebi uma carta de um colega de Salvador que foi visitar Brasília, e curiosamente aproveitando o curto espaço de tempo na cidade, ele visitou alguns colegas Agentes de Saúde dessa localidade, e procurou saber sua realidade no trabalho no campo.

Leiam o texto e vão se surpreender.

Vejam abaixo:


Prezado Ivando Antunes,

Estive por dois dias em Brasília (26 e 27 de setembro) para o casamento de uma prima minha que foi realizado na noite da última 6ª feira, sendo muito maravilhosa a cerimônia e a mastigança também. Mais aproveitei que estava lá na nossa capital, e fui ao Ministério da Saúde imbuído de tirar duvidas e ouvir sobre assuntos de nosso interesse.

Antes de ir ao Ministério, estive em um Posto de Saúde e conversei por duas oportunidades com as nossas colegas (tinham duas colegas e um colega lá neste posto) que atuam, no Distrito Federal, no Combate ou Controle da Dengue. O 1º assunto, que todos nós queríamos saber, é quanto ganham os nossos congêneres para fazer o mesmo trabalho da gente aqui.  Puxei o assunto e mostrei (não poderia ser de outra forma) o nosso contracheque (o meu, é claro) e antes delas me dizerem que eu ganhava muito mal, me disseram que ganhavam entre R$3.300,00 a R$3.500,00 (isso lá em Brasília não é muita coisa não) e estavam confiantes que seriam reenquadrados como profissionais de nível superior e aí o salário deles/delas subiriam para até R$7.000,00 (lá em Brasília, isso já e muita coisa).
Como já estava me sentindo um indigente (já que somos tratados como tal aqui neste programa e aqui nesta cidade) mudei logo de assunto e passei a perguntar para as meninas como foram a situação delas, ao longo desse tempo, em que estão nessa atividade?

E tive um bom panorama da trajetória da galera de lá. Elas me disseram que todos lá passaram por um concurso de 3 etapas em 2004 e antes disso era algo parecido com aqui antes. O pessoal lá começou ganhando um salário mínimo também. E muitos só continuaram por que estavam estagiando em algum órgão do Governo Federal e/ou ganhavam alguma pensão ou ajuda de parentes ou agregados para continuarem trabalhando. Isso perdurou por aproximadamente 2 anos, e foi quando o SINDPREV (Sindicato a qual a galera é filiada) forçou o GDF a regularizar a situação do pessoal. Foi quando eles foram enquadrados como Agentes Ambientais e fugiram da denominação de
Combate as Endemias (denominação, a qual eles/elas, nunca foram enquadrados/as). Segundo as colegas, isso fez toda a diferença deles/as estarem recebendo o que ganham, de estarem ganhando uma miséria como a gente aqui. As colegas foram muito enfáticas de confirmarem essa conquista de serem enquadradas como Agentes Ambientas em vez de Combate às Endemias (Mata Mosquito).

Eles/as foram colocados/as como Estatutários/as no ano passado mais eles/elas me disseram que ganhavam as mesmas coisas (gratificações) que ganham hoje. O fato de mudarem de regime deu mais força a categoria em conquistas como maior tempo de Licença Maternidade, etc., e uma maior segurança jurídica, para não serem dispensados aleatoriamente da atividade (mesmo isso nunca ter ocorrido lá).

A forma de trabalho que difere da nossa em alguns aspectos como: 

  • O FAD deles é diferente do nosso como você pode ver no anexo que estou te enviando;
  • O (A) Agente é responsável por uma determinada área que engloba alguns quarteirões e só trabalham nessa mesma localidade (Trabalham Zooneados);
  • Lá não existe essa onde de “ajudar” como aqui;
  • Lá, já tem muito tempo, que eles/elas não fecham os ciclos (ficam em aberto);
  • Lá, como aqui, tem poucos agentes também;
  • Fui informado também que o FUNAZISTA responsável pela “coordenação dos trabalhos” recebe R$1.000,00 conto para “gerenciar” a galera lá e, quando algumas das metas são alcançadas, eles recebem R$200,00 conto a mais. O engraçado que somente essas merdas recebem algo pelo trabalho nosso. Deve ser por isso, que os ciclos lá não fecham mais. É algo para a gente refletir aqui;
  • Eles lá ainda usam o Diflubenzuron, porém, o pessoal já sabe que o larvicida ira ser mudado;
  • O trabalho dos agentes é preenchido em formulários de papel, porém os dados já são digitados no PA (todos ficam em Postos de Saúde e não em Igrejas e Escolas como aqui) e enviados online para a coordenação do programa no mesmo dia que foi produzido;

Os/As Agentes tem um uniforme marrom juntamente com um colete cheio de bolsos da mesma cor e a sacola é do mesmo modelo daquela amarela e vermelha mais de muitíssimo melhor qualidade (é uma lona grossa da mesma cor do uniforme dos/das colegas). Faltou pouco para eu pedir uma sacola daquela e a única coisa que talvez possamos dizer que estamos melhores do que a galera de lá, é em relação ao Plano de Saúde que lá eles/as não tem e faz muita diferença na hora do atendimento.

Ao chegar lá no Ministério da Saúde, fui procurar a Coordenação do Programa de Combate a Dengue, e depois de ser identificado e fotografado, fui encaminhado a Sobreloja para ir ao Setor de Combate aos Vetores de Transmissão da Dengue (a última sala antes dos banheiros). Lá chegando, fui atendido por um Senhor que foi indicado por uma moça. Eu me identifiquei como um agente de combate aos vetores de transmissão da Dengue de Salvador e gostaria que ele nos informasse sobre a mudança do larvicida e se o Ministério estava ciente dessa mudança?

Ele não apenas me disse que estavam cientes como quis logo defender a utilização desses produtos no combate aos vetores dizendo (sem que eu fizesse alguma indagação a respeito) que esses produtos tinham sido exaustivamente testados e pesquisados pela Organização Mundial de Saúde - OMS para serem utilizados no combate aos vetores como, pensando também, na utilização desses produtos na água de consumo humano. Quando eu disse a ele que não utilizamos esse produto na água que a população consome, ele não gostou não. Ai eu disse para ele que não seriamos um instrumento de quem quer que seja a qual venha colocar a população em risco já que a mudança do larvicida não ocorreu de uma forma segura já que não tivemos um treinamento condizente para assegurar uma utilização eficaz desse produto cuja utilização (pelo menos na sua diluição) deveria ser por pessoas que deveriam ter um mínimo de conhecimento de Físico-química.

Foi aí que ele percebeu que não estava conversando com nenhum idiota e passou a fazer referencia as atividades correspondentes as funções de boca. Como eu tinha dito que Supervisor não existe oficialmente nos quadros do município, ele foi taxativo que essa função, mesmo não existindo oficialmente, fosse designado para este fim (preparação do larvicida) e se predispôs a oferecer treinamento para agentes se o município assim requisitasse. Como eu acho difícil isso acontecer, eu falei que seria mais fácil essa demanda ser solicitada pelo Conselho Municipal de Saúde (mais trabalho para Marcos) o que ele não fez objeção. Perguntei também se o PNCD não deveria já ter passado por alguma atualização? Ele me disse que possivelmente, no próximo ano, deverá ter outras diretrizes mais não deu certeza disso.  Perguntei sobre essas recentes casos de Chikungunia aqui próximo de Salvador e ele me disse que os procedimentos devem obedecer aos mesmos parâmetros do combate a Dengue. Ele até me deu duas publicações no final da conversa. Um é uma publicação da Organização Pan-americana de Saúde em espanhol “Preparación y respuesta ante la eventual introducción del virus chikungunya em las Américas” de 150 paginas e o PNCD de 2009. Ele me mostrou o saquinho do novo larvicida e as colherinhas que viram com ele para ser aplicado. Esse novo larvicida é bem parecido com o Temefós cujo veiculo é a areia também. Mais é mais concentrado e por isso deverá ter menos quantidade utilizadas.

Ainda não tive maiores informações sobre esse produto novo mais, concerteza, não deverá ser menos perigoso do que os outros já utilizados por nós.

Como você pode ler, foi bem interessante a minha ida para Brasília já que pude ter algum contato com a realidade do combate e controle da Dengue em outro estado e poder ter ido para o Ministério da Saúde que, em tese, deveria coordenar, em todos os estados, essa campanha.

Atenciosamente,

Mundinho

Porque será que em Salvador e em outros municípios para se pagar o Piso Salarial de R$ 1.014,00, está tão sofrido e os prefeitos se recusam a pagar. Como ACM Neto (DEM) em Salvador e José Ronaldo (DEM) de Feira de Santana.


"Quando sua realidade muda, seus sonhos não precisam mudar."
Johnnie Walker


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